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Governo do Tocantins ressalta importância do Dia da Consciência Negra

20/11/2020 - Márcia Rosa/Governo do Tocantins

Neste ano, o Dia da Consciência Negra é reforçado com mais um movimento em defesa dos negros que ecoou no mundo todo desde os primeiros meses de 2020: Vidas Negras Importam. O racismo se instalou no Brasil de base escravocrata e, mesmo transcorrido 132 anos da abolição da escravatura, pessoas negras continuam escravas de preconceitos, racismos e de exclusão social em função da cor da pele, tudo isso imposto desde a colonização do Brasil.

Uma dívida histórica e com números alarmantes, quando se refere às diferenças entre brancos e negros no acesso ao mercado de trabalho, nas universidades federais, diferença salarial, acesso à política e falta de oportunidades. Segundo dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população ocupada de cor ou raça branca ganhava 69,3% mais do que a preta ou parda. Diante desses abismos, o Dia da Consciência Negra se projetou a partir do resgate das raízes culturais e da luta por inclusão social devida aos negros, embora tardia.

E nesta data icônica, o Governo do Tocantins, por meio da Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju), via Gerência de Diversidade e Inclusão Social, chama a atenção para a importância de fomentar ações estratégicas e políticas públicas de valorização e promoção da igualdade racial, além de promover debates e inclusão social.  

À frente da Gerência, Nayara Brandão lembra que, mesmo após 10 anos do Estatuto da Igualdade Racial, destinado a garantir à população negra a efetivação da igualdade de oportunidades e a defesa dos direitos étnicos, a luta é diária. “O enfrentamento à discriminação e à intolerância étnica deve ser diário e, nesse sentido, atuamos com palestras de conscientização contra o racismo e em prol da igualdade social e da inclusão do negro na sociedade. Como disse Nelson Mandela ‘não é uma questão de raça; é uma questão de ideias’”, enfatizou.

Dia Nacional da Consciência Negra

A presidente do Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial do Tocantins (Cepir/TO), vinculado à Seciju, vice-presidente da Comissão da Igualdade Racial da OAB/TO e ativista do movimento negro desde os 12 anos de idade, Edilma Barros, fala da ausência da democracia racial no Brasil. “Ninguém nasce racista. Ninguém abre os olhos e é um suprematista branco. O preconceito é formado, sendo assim, é possível (des)formar, porque o preconceito racial advém de um aprendizado, de uma reprodução, não sendo da natureza humana”, ressalta a presidente em exercício.

Para ela, o racismo não é só um crime, é uma ofensa ética. As pessoas reproduzem que, pela cor, o negro não deveria ocupar espaços que podem pertencer a qualquer pessoa qualificada intelectualmente para ocupá-lo, independentemente de qualquer estigma.

“O preconceito está na fala, nos gestos, nas estruturas basilares da sociedade, sendo estrutural e cultural no Brasil e, mesmo após 30 da criminalização legal do racismo, a luta dos negros por espaços na sociedade é diária”, lamenta.

O dia 20 de novembro faz referência ao assassinato de Zumbi dos Palmares, liderança quilombola que foi perseguida pelas autoridades portuguesas no final do século XVII, cuja força transformou-se em símbolo da luta dos negros no Brasil. A escolha da data se deu em 1978 quando o Movimento Negro Unificado contra a Discriminação Racial se reuniu em um congresso na cidade de São Paulo e também como uma alternativa ao dia 13 de maio de 1888, em referência à abolição da escravatura.

No entanto, a data só foi estabelecida em janeiro de 2003, pelo Projeto de Lei n° 10.639, que instituiu o Dia Nacional da Consciência Negra no calendário escolar com o ensino da cultura afro-brasileira no currículo escolar em todo o País, sendo um dia de luta e de enfrentamento ao racismo e à exclusão social recorrentes em vários âmbitos da sociedade.

População negra no Tocantins

De acordo com dados do IBGE, 70% da população do Tocantins é negra – dividida entre pretos ou pardos, sendo que o Estado tem 36 comunidades quilombolas reconhecidas pela Fundação Cultural Palmares.

Ações afirmativas

Os movimentos negros tornaram possíveis, ao longo dos anos, algumas conquistas importantes como a Lei n° 12.288, de 20 de julho de 2010, que institui o Estatuto da Igualdade, destinado a garantir à população negra a efetivação da igualdade de oportunidades, a defesa dos direitos étnicos individuais, coletivos e difusos e o combate à discriminação e às demais formas de intolerância étnica; a Lei n° 7.716, de 5 de janeiro de 1989, que criminaliza o preconceito racial e de cor; a Lei n° 12.711, de 29 de agosto de 2012, que determina cotas raciais para o ingresso de estudantes negros nas universidades e instituições federais; a Lei n° 9.394, de 9 de janeiro de 2003, que tornou obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira nas escolas brasileiras. 

O Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir), que fomenta o fortalecimento de políticas públicas para a superação das desigualdades raciais no Brasil, tem a adesão de 22 estados, incluindo o Tocantins.

Confira aqui a campanha da Seciju, voltada à data para redes sociais. 

 

Edição: Caroline Spricigo

Revisão Textual: Marynne Juliate

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